O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou que o relatório da Polícia Federal sobre suas supostas conversas com Daniel Vorcaro, do Banco Master, teve participação de agentes externos, “provavelmente estrangeiros”, em uma tentativa de interferir nas eleições brasileiras de 2026. A declaração consta em uma defesa de 44 páginas apresentada à Corte na madrugada desta terça-feira (15), antes do julgamento que analisará a abertura de uma investigação contra ele.
Moraes questionou o prazo de 72 horas para a elaboração do documento e afirmou que os metadados mostram que o relatório foi aberto e finalizado no mesmo dia em um computador da PF. Segundo o ministro, o material teria sido produzido fora da corporação, enviado à instituição e apenas inserido no sistema. Ele sustentou que a medida comprometeria a cadeia de custódia e impediria a verificação da autenticidade e da integridade dos dados.
O ministro também relacionou a suspeita ao afastamento do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, determinado por André Mendonça e posteriormente revertido por Flávio Dino. Moraes citou ainda as pressões internacionais contra integrantes do STF, incluindo as sanções aplicadas pelos Estados Unidos com base na Lei Magnitsky, mas não identificou o país, órgão ou autoridade estrangeira que teria participado da elaboração do relatório.
Na manifestação, Moraes alegou que o acesso ao material extraído do celular de Vorcaro pode ter permitido o compartilhamento dos dados com terceiros, inclusive possíveis autoridades estrangeiras. Ele acusou Mendonça de direcionar a investigação para incriminá-lo e classificou a apuração como uma “farsa” destinada a atribuir-lhe condutas ilícitas.
*Metro1
Foto: Antonio Augusto/STF
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