
Feira de Santana iniciou 2026 com resultado positivo na geração de empregos formais. Em fevereiro, o município registrou a criação de 607 novas vagas com carteira assinada, conforme dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). Mesmo assim, o setor do comércio apresentou desempenho negativo pelo segundo mês seguido, com mais demissões do que contratações.
Ao todo, foram registradas 5.979 admissões contra 5.372 desligamentos no período. A construção civil liderou a geração de empregos, com 478 novas vagas, seguida pelos setores de serviços (+173) e indústria (+106). Já o comércio teve saldo negativo de 129 postos de trabalho, enquanto a agropecuária também apresentou queda, com menos 21 vagas.
De acordo com o presidente do Sicomércio Feira de Santana, Marco Silva, o resultado no comércio já era esperado para o início do ano, período marcado por ajustes após as contratações de fim de ano.
“Esse cenário é comum nesse período. Após o Natal, há uma redução nas contratações e as empresas fazem uma readequação do quadro de funcionários”, explicou.
Ele também destacou que, nos últimos anos, tem sido menor o número de trabalhadores temporários efetivados após o período festivo, o que contribuiu para o aumento das demissões em janeiro e fevereiro.
“Antes, muitos temporários acabavam sendo aproveitados pelas empresas. Nos últimos dois anos, isso não aconteceu com a mesma intensidade, o que impactou diretamente os números”, afirmou.
Apesar do momento, a expectativa do setor é de melhora nos próximos meses, impulsionada por datas comemorativas que tradicionalmente aquecem as vendas.
“A gente já começa a se preparar para o Dia das Mães, depois vem o Dia dos Namorados e o São João. A tendência é de recuperação, já que esse comportamento é sazonal”, disse.
Outro ponto de preocupação, segundo o dirigente, é o cenário econômico, especialmente a taxa de juros elevada e o alto nível de endividamento das famílias, fatores que reduzem o consumo.
“Os juros altos desestimulam o consumo e aumentam o endividamento. Hoje, muitas famílias estão priorizando o pagamento de dívidas, deixando de consumir”, pontuou.
Marco Silva também chamou atenção para impactos externos, como a alta nos preços dos combustíveis, influenciada por conflitos internacionais, que acabam afetando toda a cadeia econômica.
“O aumento dos combustíveis compromete o poder de compra e encarece os produtos. Isso reflete diretamente no comércio”, destacou.
Mesmo diante das dificuldades, o setor mantém uma perspectiva positiva.
“O empresário é otimista por natureza. A expectativa é de que o cenário melhore com as próximas datas importantes para o comércio”, concluiu.