
As mega secas, períodos de estiagem que duram pelo menos dois anos, estão se tornando mais frequentes e severas ao redor do mundo, segundo um estudo recente publicado na revista científica Science. A pesquisa analisou dados entre 1980 e 2018 e identificou mais de 13 mil eventos desse tipo, com o Brasil aparecendo duas vezes entre os dez casos mais graves.
As mega secas não são fenômenos isolados, mas períodos prolongados de redução de precipitação, que podem ser agravados pelo aumento da demanda atmosférica por água. De acordo com Simone Fatichi, pesquisador da Universidade Nacional de Singapura e um dos autores do estudo, esses eventos afetam vastas regiões ao longo de anos, gerando impactos severos para a biodiversidade, agricultura e abastecimento de água.
O último relatório da Organização Meteorológica Mundial (OMM) reforça essa tendência, apontando para a intensificação dos períodos de seca no Brasil. Em 2024, o país enfrentou uma das maiores estiagens da sua história, afetando quase 60% do território nacional. Entre os principais fatores que contribuem para essa situação estão o aquecimento global, o desmatamento e fenômenos climáticos como o El Niño.
Duas regiões do Brasil se destacam no ranking global das secas mais severas. A Amazônia Sul-Ocidental, abrangendo estados como Acre, Amazonas, Rondônia e Mato Grosso, sofreu uma seca devastadora entre 2010 e 2018, sendo classificada como a 7ª mais grave do mundo. Durante esse período, rios importantes como o Madeira, Negro e Solimões atingiram níveis historicamente baixos, afetando comunidades ribeirinhas e comprometendo a biodiversidade. Além disso, o estresse hídrico aumentou a vulnerabilidade da floresta a queimadas, com focos de incêndio crescendo até 30% no auge da seca.
Outra mega seca registrada no Brasil ocorreu entre 2014 e 2017 na região Leste, atingindo Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro e São Paulo. Esse evento foi considerado o 9º mais severo do mundo e resultou em uma das piores crises hídricas da história do país. O Sistema Cantareira, responsável pelo abastecimento de milhões de pessoas na Grande São Paulo, operou com o chamado "volume morto" em 2015, chegando a menos de 5% de sua capacidade. Em Minas Gerais e Espírito Santo, reservatórios chegaram a níveis críticos, afetando tanto o abastecimento urbano quanto a geração de energia.
Com as mudanças climáticas em curso, especialistas alertam que eventos extremos como esses devem se tornar cada vez mais comuns. A adaptação a esse novo cenário passa por políticas públicas eficazes de gestão hídrica, conservação ambiental e mitigação dos impactos do desmatamento. A conscientização sobre o uso sustentável da água também é essencial para minimizar os efeitos dessas secas prolongadas, que já afetam milhões de brasileiros e comprometem a segurança hídrica do país.
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