
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta quinta-feira (20) que o novo aumento da taxa Selic, anunciado pelo Comitê de Política Monetária (Copom) na véspera, já era uma decisão esperada e não poderia ser revertida abruptamente.
A taxa básica de juros subiu para 14,25%, o mesmo patamar registrado em 2016, durante a crise econômica do governo Dilma Rousseff. O objetivo do aumento é conter a inflação ao desacelerar a economia.
Desde o início da gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2023, o governo tem defendido uma redução dos juros para estimular o crescimento. No entanto, mesmo após a indicação de Gabriel Galípolo para a presidência do Banco Central, a política monetária manteve o caminho já delineado anteriormente.
“Esse aumento já estava contratado desde a última reunião do Copom do ano passado, ainda sob a presidência anterior”, disse Haddad, referindo-se a Roberto Campos Neto, indicado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro. “Não se pode dar um cavalo de pau na condução da política monetária. O novo presidente e os diretores herdaram um compromisso, assim como eu herdei desafios fiscais quando assumi o ministério.”
O ministro também destacou que tanto o Banco Central quanto o governo têm metas a cumprir. “Os técnicos do BC são capacitados e farão o melhor pelo país. O Executivo tem sua responsabilidade, como o cumprimento do marco fiscal, e o Banco Central tem o desafio de manter a meta de inflação sob controle”, completou.
As falas de Haddad seguem a mesma linha do discurso adotado por Lula em janeiro, quando a Selic já havia sido elevada na primeira reunião sob a liderança de Galípolo. Na ocasião, o presidente argumentou que o novo comando do BC não poderia mudar drasticamente a política monetária definida anteriormente.
"A decisão já estava praticamente definida pelo antigo presidente do Banco Central, e o Galípolo seguiu aquilo que considerou adequado", disse Lula na época.
A postura do governo reforça a tentativa de equilibrar a relação com o Banco Central, buscando a queda dos juros a longo prazo, mas sem pressionar por mudanças bruscas na condução da política monetária.
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