O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), pediu à Procuradoria-Geral da República (PGR) que se manifeste sobre um relatório da Polícia Federal (PF) que identificou o ministro Alexandre de Moraes como interlocutor de mensagens enviadas por Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, com um pedido para ser protegido por órgãos como a PF e a PGR.
O despacho foi encaminhado nesta segunda-feira (31) ao procurador-geral da República, Paulo Gonet. Mendonça, que é relator das investigações sobre as suspeitas de fraudes envolvendo o Banco Master, estabeleceu prazo de cinco dias para que a PGR analise o conteúdo.
As mensagens foram encontradas pela PF em um dos celulares de Vorcaro. Inicialmente, os investigadores não conseguiram identificar quem estava do outro lado da conversa. O banqueiro tinha o hábito de escrever mensagens em blocos de notas, fazer capturas de tela e encaminhá-las como imagens de visualização única.
A pedido de Mendonça, a PF aprofundou a análise do material e concluiu que o interlocutor era Alexandre de Moraes. Em uma das mensagens, enviada uma semana antes da primeira prisão de Vorcaro, o banqueiro pediu ao ministro que tentasse acionar Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal, para adiar uma operação.
– Se o Andrei conseguir atrasar pra outra semana, pois tem feriado, o banco não quebra. Tenta chamar ele e sensibilizar isso se achar possível – escreveu Vorcaro.
Em outro trecho, enviado um dia antes da prisão, o banqueiro voltou a questionar Moraes sobre a possibilidade de reverter a ação de autoridades.
– Não conseguimos reverter isso com Paulo ou Andrei? Muita sacanagem isso – escreveu Vorcaro, em referência a Paulo Gonet e Andrei Rodrigues.
O relatório da PF aponta ainda que Vorcaro dizia ao interlocutor que precisava de proteção de Andrei e Paulo para evitar que subordinados da Polícia Federal e do Ministério Público Federal tomassem medidas contra ele.
Segundo a investigação, o banqueiro relatava que havia recebido informações de integrantes do Banco Central de que Gabriel Galípolo, presidente da instituição, e os demais diretores estariam sob pressão para adotar medidas contra o Master.
Vorcaro acabou preso em 17 de novembro, no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo. Ele foi detido por volta das 22h, quando tentava embarcar em um jato particular com destino a Dubai, com escala em Malta.
O material também chama atenção para a proximidade de Vorcaro com integrantes de instituições importantes da República. Gonet e Andrei Rodrigues participaram, em abril de 2024, de uma degustação de uísque promovida por Vorcaro em Londres, durante um fórum jurídico patrocinado pelo Banco Master.
*Pleno.News
Foto: YouTube/CNN Brasil Economia
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