
O tratamento com o Zolgensma, considerado um dos medicamentos mais caros do mundo, começou a ser ofertado nesta quinta-feira (15) pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A medicação é utilizada no combate à Atrofia Muscular Espinhal (AME) tipo 1, uma doença rara e grave que afeta os movimentos e a respiração, especialmente em bebês.
O início das aplicações aconteceu de forma simultânea em Brasília e no Recife. Em um dos casos acompanhados de perto pelo Ministério da Saúde, uma criança diagnosticada com a doença recebeu a dose no Hospital da Criança José Alencar, na capital federal.
De acordo com o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, a oferta do Zolgensma pelo SUS coloca o Brasil entre os poucos países do mundo a fornecer esse tipo de tratamento gratuitamente. O custo da medicação na rede privada pode chegar a R$ 7 milhões por dose. “Esse remédio representa uma esperança real para muitas famílias que, sozinhas, jamais conseguiriam custear esse tratamento”, afirmou o ministro.
Para viabilizar a incorporação do remédio ao SUS, foi firmado um acordo com a farmacêutica responsável, que prevê o pagamento do valor apenas se o tratamento apresentar resultado positivo no paciente. A decisão representa um avanço na oferta de terapias genéticas de alto custo na rede pública.
O Ministério da Saúde estima que, nos próximos dois anos, entre 130 e 140 crianças diagnosticadas com AME tipo 1 poderão ser beneficiadas com o Zolgensma. A aplicação é indicada para pacientes com até seis meses de vida e que não dependam de ventilação mecânica invasiva por mais de 16 horas diárias.
As famílias devem buscar um dos 28 centros de referência habilitados pelo Ministério da Saúde em estados como Bahia, São Paulo, Pernambuco, Rio de Janeiro, Ceará e outros. Nesses locais, os pacientes passam por avaliação clínica conforme protocolo oficial, que define os critérios para aplicação da terapia.
Antes da disponibilização via SUS, o Zolgensma já era fornecido em caráter excepcional, por meio de decisões judiciais — mais de 160 ações obrigaram o Estado a arcar com o medicamento. Com a nova política, a expectativa é garantir acesso igualitário e mais rápido ao tratamento.
A Atrofia Muscular Espinhal (AME) afeta cerca de 1 em cada 10 mil nascidos vivos, segundo dados do IBGE. Em 2023, o Brasil registrou aproximadamente 287 casos da doença.
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