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Eleições 2026

Primeiro debate presidencial é marcado por ausências e embates entre três candidatos

O encontro foi realizado pela Band

24/08/2026 09h46
Por: Diário da Feira
Fonte: Diário da Feira

O primeiro debate entre candidatos à Presidência da República nas eleições de 2026 foi realizado neste domingo (23) em meio a críticas às ausências de três dos nomes convidados. Renan Santos (Missão), Ronaldo Caiado (PSD) e Augusto Cury (Avante) participaram do encontro promovido pelo grupo Bandeirantes, enquanto Lula (PT), Flávio Bolsonaro (PL) e Romeu Zema (Novo) não estiveram presentes.

Os lugares destinados aos três ausentes permaneceram vazios durante o programa e acabaram se tornando um dos principais assuntos das discussões. Renan e Caiado fizeram críticas diretas aos adversários que não compareceram, enquanto Cury também questionou a ausência de Lula durante algumas intervenções.

O encontro foi dividido em três etapas, com perguntas feitas por apresentadores e jornalistas, além de rodadas de confronto direto. Segurança pública, educação, economia, violência contra a mulher, relações internacionais, programas sociais, ensino profissionalizante, corrupção e a jornada de trabalho 6x1 estiveram entre os temas debatidos.

Segurança domina boa parte das discussões
A criminalidade foi um dos assuntos que mais provocaram divergências entre os candidatos. Renan Santos apresentou uma linha mais dura de enfrentamento às organizações criminosas. Entre as propostas, citou a utilização de operações de Garantia da Lei e da Ordem (GLO), a construção de grandes unidades prisionais e uma maior atuação conjunta entre União e estados.

O candidato também defendeu que governos estaduais considerados omissos no combate às facções possam sofrer intervenção federal.

Caiado, por sua vez, afirmou que o país enfrenta uma situação semelhante a um cenário de guerra e propôs ampliar o uso de inteligência, tecnologia e integração das forças policiais. O ex-governador de Goiás também defendeu o confisco de bens ligados ao crime organizado e a classificação de facções como organizações terroristas.
Augusto Cury adotou uma abordagem diferente e argumentou que o fortalecimento das instituições de segurança deve ocorrer junto com uma melhor organização do Estado. Ele defendeu a integração entre Polícia Federal, polícias estaduais, Polícia Rodoviária e guardas municipais.
Educação e mercado de trabalho
A educação também ocupou espaço importante no debate. Cury criticou o modelo de ensino brasileiro e defendeu uma transformação que incentive os estudantes a desenvolver pensamento crítico, criatividade e capacidade de questionamento.
O candidato também falou sobre inclusão escolar e os impactos do uso excessivo de tecnologia entre crianças e adolescentes. Para ele, as escolas precisam preparar os alunos não apenas academicamente, mas também para os desafios profissionais.
Renan Santos defendeu mudanças na alfabetização e cobrou maior responsabilização de gestores pelos resultados educacionais. Entre suas propostas está a criação de mecanismos para vincular a distribuição de recursos públicos ao desempenho de estados e municípios.
Caiado destacou experiências adotadas durante sua gestão em Goiás e defendeu a ampliação do ensino profissionalizante. A ideia apresentada é aproximar a formação escolar das necessidades do mercado de trabalho e permitir que os jovens concluam o ensino médio já com uma qualificação profissional.
Violência contra a mulher entra no confronto
Durante uma rodada de perguntas, Cury questionou Caiado sobre o combate à violência contra as mulheres. O ex-governador afirmou que o feminicídio representa um dos principais problemas de segurança pública do país.
Caiado apresentou medidas utilizadas em Goiás, como monitoramento eletrônico, botão do pânico e uso de tecnologia para auxiliar as forças policiais. Também defendeu punições mais severas para autores de violência doméstica e feminicídio.
Cury, por outro lado, ressaltou a necessidade de enfrentar o problema também por meio da educação e de mudanças sociais.
Economia e escala 6x1 provocam divergências
Na área econômica, Caiado defendeu um ajuste nas contas públicas, redução dos gastos e recuperação da credibilidade do país. Segundo ele, o equilíbrio fiscal seria necessário para criar condições para a queda dos juros e o controle da inflação.
Outro tema que dividiu os candidatos foi o fim da escala de trabalho 6x1. Renan Santos se posicionou contra a mudança e argumentou que a redução da jornada poderia elevar custos para empresas e comprometer empregos.
Cury apresentou uma posição mais favorável à ampliação do descanso dos trabalhadores, embora tenha defendido uma adaptação que considere as particularidades de diferentes setores. Para ele, uma jornada mais equilibrada pode contribuir para a qualidade de vida.
Relação com os Estados Unidos
A política externa também apareceu entre os principais assuntos. Cury afirmou que pretende manter uma relação equilibrada com os Estados Unidos e a China, sem que o Brasil adote uma posição de submissão diante de qualquer potência.
O candidato defendeu ainda investimentos em inovação, biotecnologia, energia e processamento de recursos naturais para ampliar a participação brasileira no comércio internacional.
Caiado criticou a condução da política externa do governo Lula e afirmou que o Brasil precisa adotar uma postura mais pragmática nas relações internacionais.
Ausências viram alvo dos candidatos
As faltas de Lula, Flávio Bolsonaro e Zema repercutiram durante todo o encontro. Lula havia sinalizado anteriormente que não pretendia participar de debates em determinadas condições. Flávio Bolsonaro condicionou sua presença à participação de Lula.
Zema desistiu poucas horas antes do programa e justificou que, sem Lula e outros concorrentes, o encontro havia perdido parte de seu propósito.
Antes do debate, Renan Santos chegou ao local carregando duas fraldas geriátricas com os nomes de Lula e Flávio Bolsonaro. A atitude foi usada para ironizar os adversários ausentes.
Caiado também criticou a decisão dos dois principais ausentes e defendeu a criação de uma regra que obrigue candidatos a comparecer aos debates durante a campanha.
Augusto Cury chegou a anunciar, nas redes sociais, que não participaria do programa diante das ausências. Cerca de meia hora antes do início, entretanto, mudou de posição e entrou no debate.
Além disso, integrantes da Unidade Popular protestaram na entrada da emissora contra a ausência de Samara Martins, candidata da legenda à Presidência, que não foi incluída entre os participantes.
Encerramento
Na etapa final, os três candidatos apresentaram suas propostas e buscaram se diferenciar dos adversários que não participaram. Caiado destacou sua experiência política e voltou a cobrar a presença dos demais concorrentes.
Renan reforçou críticas ao PT e ao bolsonarismo e defendeu investimentos em tecnologia, infraestrutura, indústria e inteligência artificial.
Cury encerrou destacando sua trajetória profissional e prometendo montar uma equipe de governo formada por especialistas de diferentes áreas.
O debate terminou sem a presença dos três candidatos que ocupavam parte dos púlpitos, mas com fortes críticas entre os participantes e uma disputa marcada por diferentes visões sobre segurança, educação, economia e o futuro político do país.

*g1
Foto: Daniel Teixeira/Estadão

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