
A partir do dia 1º de abril, os preços dos medicamentos em todo o país poderão sofrer reajuste anual autorizado pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED). Estimativas apontam que o reajuste de medicamentos pode variar entre 1,9% e 4,6% a partir do anúncio do reajuste.
A medida, que ocorre todos os anos, já mobiliza farmácias e empresários do setor em Feira de Santana, que buscam alternativas para amenizar os efeitos no bolso do consumidor.
De acordo com o empresário do ramo farmacêutico, Juscelino Brito, a expectativa para este ano é de um aumento médio em torno de 3,5%. Apesar de ser inferior a reajustes de anos anteriores, o impacto ainda preocupa.
“É primeiro de abril, mas não é mentira. Realmente tem um aumento. Este ano o governo está estimando em média de três e meio por cento. E o impacto é sempre ruim, sempre negativo, porque medicamento é produto de necessidade”, afirmou.
Segundo ele, as farmácias têm adotado estratégias para tentar reduzir o impacto imediato ao consumidor. Uma das principais medidas é a negociação direta com a indústria farmacêutica.
“A farmácia está sempre negociando com a indústria para ver se consegue melhorar o desconto, para que não tenha um impacto tão grande na alteração de preço”, explicou.
Outra prática comum, segundo o empresário, é evitar o repasse imediato do reajuste. Em muitos casos, os estabelecimentos absorvem temporariamente o aumento.
“Geralmente nós absorvemos esse aumento e não repassamos de imediato para o consumidor. Vamos ajustando gradativamente, à medida que chegam novos produtos”, disse.
Além disso, a antecipação de compras tem sido uma estratégia importante para manter os preços estáveis por mais tempo.
“Agora mesmo em março fizemos grandes negociações para ter estoque e não repassar isso logo em abril. Às vezes esse aumento só é repassado no final de maio ou até em junho”, destacou.
Juscelino também ressaltou que o setor busca equilibrar a necessidade de manter a competitividade com a sensibilidade diante da realidade dos clientes.
“Medicamento é algo que muitas vezes não está no planejamento da pessoa. A gente sempre busca entender essa necessidade e trabalhar para que o impacto não seja tão grande”, concluiu.
O reajuste anual dos medicamentos é baseado em critérios como inflação, produtividade da indústria e custos do setor, e define o teto de aumento permitido, cabendo às farmácias decidirem como e quando aplicar os novos preços.
*De Olho na Cidade
Foto: Arquivo/Agência Brasil