
A partir de 1º de agosto, a imposição de uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros pelos Estados Unidos ameaça diretamente o setor de fruticultura da Bahia, em especial os produtores de manga do Vale do São Francisco. A medida pode resultar na perda de até 50 mil toneladas da fruta, volume tradicionalmente exportado ao mercado norte-americano durante a janela de exportação que se estende de julho a novembro.
O impacto é significativo, já que os Estados Unidos representam o segundo maior destino da manga baiana, atrás apenas da União Europeia. Segundo Humberto Miranda, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária da Bahia (Faeb), o risco é alto devido à alta perecibilidade da fruta e à dificuldade de redirecionar a produção para novos mercados a tempo.
“A colheita começa em setembro. Não há tempo hábil para encontrar mercados alternativos. A fruticultura precisa de uma solução urgente para evitar desemprego e insegurança na atividade”, alerta Miranda.
A produção de manga no Vale do São Francisco – concentrada em Juazeiro e Casa Nova – ocupa cerca de 51 mil hectares e emprega diretamente sete mil pessoas. Em 2024, 36 mil toneladas foram enviadas aos EUA, e a expectativa era alcançar até 50 mil toneladas no segundo semestre. Com o impasse entre os governos brasileiro e americano, o cenário pode mudar drasticamente.
A dúvida que muitos consumidores têm é se o tarifaço vai baratear a manga nas prateleiras do Brasil. Para Tássio Lustosa, diretor-geral da Valexport, a resposta é negativa. Ele afirma que não há capacidade de absorver o excedente de produção no mercado interno sem comprometer a rentabilidade dos produtores.
“A gente já destina 80% da produção para o mercado interno. As 50 mil toneladas a mais não têm para onde ir. Reduzir o preço pode inviabilizar a comercialização, porque o custo de produção é alto e nem a colheita conseguimos pagar”, afirma Lustosa.
Por outro lado, Arthur Cruz, economista da Superintendência de Estudos Econômicos da Bahia (SEI), acredita que haverá sim impacto no preço. Para ele, diante da impossibilidade de exportar, os produtores terão que vender internamente a preços mais baixos, mesmo que isso signifique prejuízo.
“Ou eles baixam os preços e colocam o produto no mercado interno, ou perdem tudo. Não há outra saída viável”, argumenta.
A depender da confirmação da tarifa, os produtores planejam enviar apenas 30% da carga prevista aos EUA, uma redução de 70% nas exportações do Vale do São Francisco. Isso pode representar um prejuízo de cerca de US$ 32 milhões (cerca de R$ 179 milhões), com efeitos colaterais diretos no emprego e na cadeia produtiva da região.
Com embarques previstos a partir de Salvador, Fortaleza e Natal já nos primeiros dias de agosto, o setor segue atento às negociações entre os dois países. Enquanto isso, produtores, trabalhadores rurais e consumidores aguardam os desdobramentos de uma decisão que pode afetar preços, empregos e o futuro da fruticultura na Bahia.
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