
A revista britânica The Economist classificou como uma "chocante agressão" a recente decisão dos Estados Unidos de aplicar uma tarifa de 50% sobre todas as exportações brasileiras, além de suspender vistos de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo a publicação, essas ações representam uma das maiores interferências americanas na América Latina desde a Guerra Fria.
No artigo intitulado "A chocante agressão de Trump ao Brasil", a The Economist destaca a rivalidade ideológica entre Donald Trump e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A revista aponta que a medida norte-americana foi motivada principalmente pela cúpula do Brics realizada no Rio de Janeiro em julho, que contou com a presença do Brasil, fortalecendo sua posição entre os países emergentes.
A revista também menciona que o STF adotou medidas restritivas contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, que atualmente é réu por tentativa de golpe de Estado e enfrenta limitações como o uso de tornozeleira eletrônica e proibição em redes sociais.
Curiosamente, a publicação afirma que a tentativa de Trump de enfraquecer Lula pode estar tendo efeito contrário. O apoio popular ao presidente brasileiro tem crescido, e ele lidera as intenções de voto para as eleições do próximo ano. Além disso, o Congresso Nacional demonstra unidade em torno do presidente, discutindo até tarifas retaliatórias contra os EUA.
A The Economist destaca o impacto econômico da tarifa sobre produtos brasileiros como café, carne e suco de laranja, especialmente em regiões que são base eleitoral de Bolsonaro. Até a Confederação de Agricultores, tradicionalmente alinhada com Bolsonaro, condenou o caráter político da medida americana.
Outro ponto polêmico citado pela revista é o ataque dos EUA ao Pix, sistema de pagamentos brasileiro que promoveu maior competitividade no setor bancário nacional, afetando empresas internacionais como Visa e Mastercard.
Apesar de reconhecer que o Brasil possui uma economia relativamente protegida e que recebe subsídios governamentais, a revista sugere que a real motivação por trás das ações americanas é mais política do que comercial, já que o governo brasileiro tenta negociar com os EUA desde maio, sem sucesso.
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