
Apesar das tensões comerciais entre Brasil e Estados Unidos, um importante elo une os dois países: o interesse nas riquezas minerais brasileiras. Recentemente, o representante dos EUA no Brasil, Gabriel Escobar, procurou o Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) para manifestar o interesse americano em minerais críticos e estratégicos encontrados no país, como as terras raras.
A iniciativa, no entanto, gerou polêmica, já que a pauta sobre minerais é uma prerrogativa exclusiva do governo federal brasileiro, conforme explicou Raul Jungmann, presidente do Ibram. Segundo ele, embora o interesse americano seja legítimo, as negociações devem ocorrer diretamente entre os governos, respeitando a Constituição que atribui à União o controle sobre o subsolo e suas riquezas.
Na contramão dessa aproximação técnica, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva adotou um tom firme em discurso recente, afirmando que ninguém “põe a mão” nas riquezas minerais do país e pedindo respeito entre as nações. No entanto, o Brasil já conta com a presença de empresas estrangeiras, incluindo multinacionais dos EUA, que exploram recursos no território nacional.
Um exemplo é a Energy Fuels, empresa americana que adquiriu 17 direitos minerários na Bahia, especificamente nas regiões de Prado, Alcobaça e Caravelas. O foco são minerais como tório, lantânio e cério, considerados essenciais para a transição energética global. Esses elementos, conhecidos como terras raras, são utilizados em tecnologias de ponta, como baterias para carros elétricos, monitores de TV e equipamentos para geração de energia limpa.
A importância estratégica dessas reservas é enorme: o Brasil detém a segunda maior reserva mundial de terras raras. A Agência Internacional de Energia estima que o mercado global para esses minerais deve movimentar cerca de R$ 1,2 trilhão, com potenciais receitas bilionárias para os países fornecedores.
Para garantir que essa riqueza mineral se traduza em desenvolvimento para o Brasil, o governo deve conduzir as negociações de forma institucional e garantir que os recursos sejam explorados com transparência e benefício para a população brasileira, evitando que o tema se transforme apenas em disputa política nas redes sociais.
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