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Desnutrição em Gaza

ONU denuncia crise humanitária extrema em Gaza e alerta para fome em massa

Israel nega fome extrema, mas admite falhas na entrega de ajuda

23/07/2025 08h24
Por: Diário da Feira
Fonte: G1 Mundo
Foto: AFP
Foto: AFP

A Organização das Nações Unidas (ONU) e mais de 100 organizações não governamentais (ONGs) denunciaram, nesta quarta-feira (23), o agravamento da crise humanitária na Faixa de Gaza, onde a fome e a desnutrição atingem níveis alarmantes. O secretário-geral da ONU, António Guterres, classificou a situação como um “show de horrores”, e alertou para o colapso do sistema de ajuda humanitária no território palestino.

No comunicado conjunto, 111 ONGs, entre elas Médicos Sem Fronteiras e Norwegian Refugee Council, exigiram um cessar-fogo imediato e a liberação urgente de ajuda humanitária. Segundo os grupos, a população palestina enfrenta uma “fome em massa”, agravada pelo bloqueio israelense que impede a entrada de alimentos, água e medicamentos — mesmo com toneladas desses insumos retidas às portas de Gaza.

A denúncia ocorre em meio à prolongada guerra entre Israel e o grupo Hamas, que já dura mais de 21 meses e resultou na morte de mais de 59 mil palestinos, segundo autoridades locais. Israel, por sua vez, contesta as acusações de provocar uma crise de fome, atribuindo à ONU a responsabilidade por dificuldades logísticas na distribuição da ajuda. O governo israelense afirma que os suprimentos estão disponíveis, mas que as agências humanitárias não têm retirado os carregamentos.

A ONU, no entanto, afirma que as operações de ajuda estão sendo severamente bloqueadas, especialmente após o controle da distribuição ter sido passado, em maio, para uma empresa americana criticada por sua atuação no local. Segundo dados da ONU, mais de mil palestinos foram mortos ao tentar acessar pontos de distribuição de comida desde o fim de maio.

“O sistema humanitário está à beira do colapso. A fome não é mais uma ameaça futura, ela está presente em cada rua, casa e abrigo em Gaza”, alertou Guterres. Em apenas 72 horas, mais de 30 pessoas morreram por desnutrição, segundo o Ministério da Saúde de Gaza. Trabalhadores humanitários e médicos relataram que também estão passando fome e correndo risco de vida.

As ONGs alertam que os palestinos vivem um ciclo cruel de “esperança e dor”, esperando por tréguas e por uma assistência que não chega. Relatos indicam que até jornalistas e profissionais de saúde enfrentam a escassez de alimentos e condições de extrema vulnerabilidade.

Apesar da pressão internacional crescente — com 25 países exigindo o fim da guerra — o Exército israelense iniciou recentemente uma nova ofensiva no centro de Gaza, em uma área que antes era considerada relativamente segura. De acordo com o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), quase 88% do território está sob ordens de evacuação ou declarado zona militar.

Enquanto os combates continuam, as negociações por um novo cessar-fogo seguem estagnadas. O enviado especial dos EUA para o Oriente Médio, Steve Witkoff, iniciou uma série de reuniões na Europa, buscando uma solução para a crise e a abertura de um corredor humanitário seguro.

A ONU e as ONGs reiteram que o acesso imediato, contínuo e irrestrito à ajuda humanitária é essencial para evitar um colapso ainda maior. Sem isso, alertam, Gaza corre o risco de testemunhar uma catástrofe ainda mais profunda, com consequências devastadoras para milhões de civis.

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