
O Exército de Israel ordenou neste domingo (20) novas evacuações em áreas do centro da Faixa de Gaza, expandindo a ofensiva militar em uma região que até então havia sido pouco afetada por operações terrestres. A decisão afeta o corredor entre Deir al-Balah e as cidades de Rafah e Khan Younis, no sul do enclave palestino, onde atuam diversas organizações de ajuda humanitária.
O anúncio ocorre em meio ao impasse nas negociações de cessar-fogo com o Hamas, que seguem paralisadas no Catar, apesar dos esforços de mediação internacional. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu afirma que o avanço militar pressiona o grupo palestino a negociar, mas os bombardeios e confrontos continuam, enquanto o acordo parece cada vez mais distante.
A nova zona de evacuação abrange instalações da ONU e áreas onde estão concentradas muitas das operações de ajuda. Segundo um funcionário das Nações Unidas, a organização busca esclarecimentos sobre o alcance da ordem, especialmente se suas instalações foram incluídas.
O Exército israelense orientou que a população busque refúgio em Muwasi, uma zona costeira ao sul considerada “área humanitária”. No entanto, a região já está superlotada, com milhares de palestinos vivendo em tendas e em condições precárias. O alerta de que ataques serão intensificados aumenta o temor por mais mortes entre civis.
Hospitais locais relatam o agravamento da crise. O Hospital Shifa, em Gaza, informou que 48 corpos e 150 feridos chegaram apenas neste domingo, a maioria atingida enquanto buscava ajuda humanitária. No sul, o Hospital Nasser confirmou 17 mortos e dezenas de feridos próximos a pontos de distribuição de alimentos.
Além dos combates, a população de Gaza enfrenta uma catástrofe humanitária sem precedentes. O bloqueio à entrada de ajuda desde março provocou desabastecimento grave de alimentos e medicamentos. Ambulâncias de três hospitais importantes soaram alertas simultâneos neste domingo para denunciar a fome crescente.
De acordo com o Ministério da Saúde de Gaza, ao menos nove crianças com menos de cinco anos já morreram de desnutrição. O número total de vítimas da fome pode ser maior, segundo médicos locais, já que a subnutrição agrava outras doenças e dificulta diagnósticos precisos.
Enquanto a ofensiva avança, cresce também a insatisfação dentro de Israel. O Fórum das Famílias dos Reféns, que representa parentes dos sequestrados pelo Hamas, criticou duramente a expansão da guerra e cobrou explicações do governo sobre os objetivos das operações no centro de Gaza.
“Chega! A maioria do povo israelense quer o fim dos combates e um acordo que traga todos os reféns de volta”, declarou o grupo. No sábado (19), dezenas de milhares de pessoas protestaram em Tel Aviv, marchando até uma representação da embaixada americana e exigindo o fim do conflito.
A guerra, iniciada em 7 de outubro de 2023 após o ataque do Hamas ao sul de Israel — que matou cerca de 1.200 pessoas e resultou no sequestro de 251 —, já provocou mais de 58 mil mortes palestinas, segundo o Ministério da Saúde de Gaza. A maioria das vítimas são mulheres e crianças. O Hamas afirma que 50 reféns ainda estão vivos, mas apenas parte deles teria condições de retorno imediato.
Enquanto os confrontos se intensificam e as negociações seguem travadas, a população civil continua pagando o preço mais alto de uma guerra sem perspectiva de resolução a curto prazo.
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