
Os Estados Unidos abriram uma investigação interna sobre práticas comerciais do Brasil consideradas "desleais". Um dos alvos indiretos parece ser o Pix, sistema de pagamentos criado pelo Banco Central. Embora o relatório norte-americano não cite o nome diretamente, menciona "serviços de pagamento eletrônico desenvolvidos pelo governo", o que levanta suspeitas sobre uma possível insatisfação com o crescimento do Pix dentro e fora do Brasil.
A iniciativa, conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA e anunciada por Jamieson Greer, se insere na chamada “Investigação da Seção 301”, mecanismo usado para avaliar medidas que possam prejudicar empresas norte-americanas.
Um dos principais pontos de tensão teria ocorrido em 2020, quando o Banco Central suspendeu o lançamento do WhatsApp Pay, serviço de pagamentos da Meta (empresa de Mark Zuckerberg, aliado de Donald Trump). À época, a justificativa foi a necessidade de garantir a estabilidade do Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB) e avaliar riscos concorrenciais. Dias após o anúncio da nova função no aplicativo, tanto o BC quanto o Cade intervieram, alegando falta de integração com o sistema financeiro regulado.
Para a economista Cristina Helena Mello, da PUC-SP, a decisão foi adequada. Segundo ela, o serviço do WhatsApp não estava alinhado com as regras do sistema financeiro nacional, o que dificultaria o acompanhamento das transações monetárias por parte das autoridades.
O Pix começou a ser desenvolvido ainda em 2018 e foi lançado oficialmente em novembro de 2020, com o objetivo de oferecer um meio de pagamento rápido, seguro e acessível a todos. A proposta do Banco Central era criar um modelo neutro e competitivo, capaz de atender tanto grandes empresas quanto pequenos empreendedores e pessoas físicas.
E a proposta funcionou: só em 2024, o Pix movimentou R$ 26,4 trilhões, tornando-se a principal forma de pagamento no país. Além disso, ele tem impulsionado a inclusão financeira de milhões de brasileiros, especialmente os que antes não tinham acesso ao sistema bancário.
A força do Pix também começou a cruzar fronteiras. Em países como Paraguai e Panamá, já é possível encontrar comércios que aceitam pagamento via Pix, o que elimina a necessidade de conversão cambial e, consequentemente, reduz o uso do dólar em algumas transações. Esse movimento pode ter incomodado o governo norte-americano, já que a valorização do dólar depende da sua demanda global.
Outro ponto sensível para os EUA é o potencial do Pix como concorrente direto de bandeiras de cartão de crédito norte-americanas. A novidade do Pix Parcelado, prevista para setembro de 2025, permitirá ao consumidor parcelar compras diretamente pelo Pix, enquanto o lojista continua recebendo o valor integral na hora — algo que hoje é feito via cartão de crédito.
Essa funcionalidade pode reduzir o uso dos cartões tradicionais, impactando diretamente grandes operadoras norte-americanas como Visa e Mastercard.
Apesar das críticas externas, especialistas brasileiros defendem o Pix como uma política pública de sucesso. Para a economista da PUC-SP, o sistema promoveu acesso à bancarização e facilitou a vida de pequenos negócios e trabalhadores informais.
“O Pix é simples, gratuito para pessoas físicas, e mudou a forma como o dinheiro circula no Brasil. É justo que o Banco Central priorize soluções nacionais que garantam inclusão e eficiência”, afirma Cristina Helena.
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