
Lançada em 1973, “Ouro de Tolo” é uma das músicas mais marcantes e autobiográficas da carreira de Raul Seixas. Faixa do seu primeiro álbum solo, Krig-ha, Bandolo!, a canção conquistou grande sucesso ao trazer uma crítica irônica à classe média emergente durante o chamado “milagre econômico” brasileiro, em plena ditadura militar.
A letra, em primeira pessoa, reflete a própria trajetória do cantor e compositor baiano. Raul narra com sarcasmo sua vida modesta, os “quatro mil cruzeiros” do salário como produtor musical, e o conformismo da sociedade com pequenas conquistas materiais, como “ir ao zoológico dar pipoca aos macacos” ou comprar o carro do ano — no caso, um Corcel 73. Essa crítica social destacou-se no contexto da jovem guarda, que exaltava valores tradicionais e o “bom mocismo”.
Antes de se lançar solo, Raul teve carreira discreta com seu grupo Raulzito e os Panteras e trabalhou como produtor na CBS, até ser demitido em 1971 após a controvérsia do álbum Sociedade da Grã-Ordem Kavernista Apresenta Sessão das 10. A parceria com Paulo Coelho, que ajudou a compor metade das músicas do disco, foi fundamental para definir a identidade do artista.
“Ouro de Tolo” expressa a insatisfação e o questionamento da rotina burguesa, refletindo o espírito contestador e místico que consagrou Raul como um ícone da contra-cultura brasileira. O sucesso da canção abriu caminho para que ele se tornasse uma lenda do rock nacional, influenciando gerações com seu estilo único e letras provocativas.
Raul Seixas faleceu em 1989, mas sua obra continua viva, com “Ouro de Tolo” sendo lembrada não apenas pela melodia simples, mas principalmente pela mensagem contundente sobre a busca por sentido além do consumismo e da aparência.
Sensação
Vento
Umidade




