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"A história é um grito de liberdade", afirma diretor de novo "Dona Flor"


Publicada em 20/11/2017 ás 16:00:58

 A história de Dona Florípedes, uma viúva com uma vida meio pacata no estado da Bahia, acabou conquistando o mundo. Lançada em 1966, a obra literária de Jorge Amado ,  “Dona Flor e Seus Dois Maridos” ganhou projeção nacional e internacional, recebendo adaptações tanto para o teatro quanto para o cinema. Pedro Vasconcelos (“A Força do Querer”) é um dos artistas que fazem parte dessa história de construir a trama para além dos livros. Trazendo a obra para os palcos, com a peça homônima em 2007, o artista agora também é o diretor por trás de uma nova releitura cinematográfica, que chega aos cinemas da região Sudeste no dia 23 de novembro.

“O que dá valor a obra hoje em dia é o texto dele, um texto atual, que explora a alma do ser humano e a interpretação dos atores colabora pra essa mágica”, comentou o diretor Pedro Vasconcelos em coletiva de imprensa. “Quando a gente fez o primeiro corte do filme tínhamos três horas. O que me deu o caminho exato para fazer essas escolhas de cortes na verdade é o fio principal da protagonista: eu fui atrás da Dona Flor . Existem no livro histórias paralelas então eu fui tirando elas e me atendo simplesmente ao rumo reto da protagonista”, completou o diretor.

A obra já havia sido adaptada para a sétima arte em 1976, mas para o elenco, colocar essa história sob os holofotes atualmente é significante. “É muito bom trazer essa personagem que vem em um momento tão bacana do empoderamento feminino”, comentou Leandro Hassum, que interpreta Theodoro na obra. “Jorge Amado toca em um assunto lá atrás que até hoje é um assunto pra discussão. Eu tenho uma filha de 18 anos que não viu o filme de 1976 e vai ter essa versão de agora que fala a mesma língua, que vai fazer com que ela entenda o que foi falado lá atrás de outra forma e linguagem”, completou o ator.

Na obra, Florípedes acaba tornando-se muito cedo viúva de Vadinho (Marcelo Faria), um homem de excessos. Entretanto, com o passar do tempo, ela acaba encontrando uma nova oportunidade de viver um romance ao lado de Theodoro (Leandro Hassum), um farmacêutico que tem tudo para ser um bom marido, menos a paixão na cama que ela tanto anseia. Desesperada, a professora de culinária acaba clamando pelo seu ex-marido falecido, que ressurge trazendo também o dilema de com quem ela deve ficar.

“O trabalho entra no que diz respeito à libertação dos desejos da mulher - naquela época, ainda mais reprimidos que hoje. Então a história é um grito de liberdade. É impressionante como nós vemos as pessoas falando que nosso filme é de sacanagem, mas não: é um filme que dá valor aos desejos interiores das mulheres reprimidos pelo enquadramento da sociedade conservadora brasileira”, comentou Pedro Vasconcelos.

Uma história de todas

Misturando humor com a dramaticidade da obra, Florípedes acaba entrando em um dilema sobre quem deverá atender: seus desejos interiores ou as demandas da sociedade. Para Juliana Paes, que protagoniza o longa, essa história é muito bem conhecida pelas mulheres. Apesar de já ter interpretado a obra de Jorge Amado nas telinhas no passado, na novela da Rede Globo “Gabriela”, a atriz revela que Dona Flor sempre teve um espaço especial na sua vida. “Sempre tive uma predileção por ela. A Gabriela era uma mulher selvagem, ela não era tolhida ou aparada pelo manejo social, já Flor é o que chamam de moça pra casar, que foi criada nos conceitos de uma mãe castradora que não concebia jamais uma filha se relacionar com um homem sem estar prestes a casar”, opinou Juliana.

“Isso faz com que a Flor seja mais próxima da minha criação, porque eu acho que não existe mulher que não tenha passado ou que ainda passe pelas angústias de Flor: é sobre a sua sensualidade ou é a moral, é o seu libido ou os códigos de ética? O que a mulher pode publicamente e o que ela não pode? Tudo isso ainda é muito atual”, concluiu a atriz.

Para Paes, Jorge Amado era um grande feminista por terminar a sua obra fazendo com que a personagem não abrisse concessões a sociedade – e muito menos ao seus desejos. “Essa coisa do ‘bela, recatada do lar’ é uma palhaçada, isso não existe. O que existe são pessoas com seus desejos, com as suas características, independente se é homem ou mulher e esse filme é muito feliz nesse sentido”, criticou. Com as recentes polêmicas no mundo de Hollywood, cujo estopim foi o caso do produtor Harvey Weinstein, Juliana Paes ainda celebrou a liberdade sexual feminina e alfinetou a indústria cinematográfica. “Cuidado abusadores que acham que o tempo vai apagar os rastros das suas sujeirinhas”, afirmou.

 

Por Diário da Feira/iG
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